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Hélio Oiticica A PINTURA DEPOIS DO QUADRO

Hélio Oiticica (Rio de janeiro, 1937 / Rio de Janeiro, 1980) / 43 anos


Foi um pintor, escultor, artista visual e performático de aspirações anarquistas. É considerado um dos maiores artistas da história da arte brasileira.



Porque foi muito importante?

Porque, por meio de suas obras, realizadas entre o final dos anos 1950 até o final dos anos de 1970, ele expôs suas ideias questionadoras sobre arte e sobre a cultura onde ela existe.


1954 -55: Começa a estudar pintura com - Ivan Serpa ( 1923 – 1973) no MAM

Rio de Janeiro.


Ivan Serpa - 1953



O grupo Frente (Rio de Janeiro) fazia oposição ao grupo Ruptura (São Paulo).


Hélio Oiticica - Sem título (Grupo Frente),

1955. guache sobre cartão 50 x 56 cm



Waldemar Cordeiro ( São Paulo) Grupo Ruptura

Arte Concreta


Oiticica entra em contato com o Grupo Frente e participa da 2ª. exposição do grupo no MAM. Os encontros com Lygia Clark (1920-1988), Ferreira Gullar (1930) e Mário Pedrosa (1900-1981) acontecem, provavelmente, nesse período.

Início de suas pinturas geométricas abstratas.


1956: Oiticica inicia a produção da série Metaesquemas

(só posteriormente denominada, em texto de 1972).





1959: Lygia Clark, Ligia Pape e Ferreira Gullar o convida para participar do Grupo Neoconcreto.







PINTURAS BRANCAS


Pintura branca, 1959.

Óleo sobre tela. 97 x 130 cm




MONOCROMÁTICOS





BILATERAIS


Bilateral Clássico, 1959.


Bilateral Teman, 1960.

[Tate Modern, Londres]


O Construtivismo Russo (1915) dá muito mais ênfase ao espaço do que à matéria. Os artistas construíam CONTRA-RELEVOS abstratos de metal industrializado, arame, madeira, plástico e vidro.


Vladimir Tatlin (1885-1956) artista russo, que ficou impressionado com as colagens cubistas, em 1912, ao visitar Paris.


Os bilaterais são placas de fina espessura pintadas de branco.


Bilaterais, 1960


Bilaterais, 1960


Mas é na série dos Relevos espaciais que Oiticica consegue fazer a pintura abandonar totalmente a bidimensionalidade, existindo no tridimensional.


Relevo Espacial, 1960. 149 x 62 x 8,5cm



Oiticica procurou tensionar a figura e a sua dependência do fundo, buscando libertar as formas puras dos esquemas visuais pré-determinados. Essa reflexão origina os Relevos Espaciais, de 1959, e os Núcleos, de 1960.


Relevo Espacial, 1960 149 x 62 x 8,5cm


Relevo Espacial, 1960 62,5 x 148,2x 15,3cm


Bilaterais e Relevos Espaciais,

[Witte de With Center for Contemporary Art, Rotterdam, 1992]


Bilaterais e Relevos Espaciais,

[ Witte de With Center for Contemporary Art, Rotterdam, 1992 ]


A cor assim torna-se elemento estrutural da obra, que agora permite a "vivência da cor", afirmando o fim da pintura como representação. O espaço plástico, assim, não mais coincide com o quadro.



NÚCLEOS


NC1 - Pequeno Núcleo N1, 1960

4 espelhos, 5 peças pintadas e teto de madeira



Grande Núcleo, NC3, NC4, NC6, “Manifestação Ambiental n. 2”, 1960-63.

Óleo sobre madeira, Fundación Antoni Tápies, Barcelona, 1992



PENETRÁVEIS


PN1, Penetrável no.1, 1960.

Óleo sobre madeira.150 x 150 x 220cm


Os penetráveis apontam para novas regiões do fazer artístico (...) este espaço plástico revitalizado e orgânico, cuja premissa essencial é a criação de novas condições de experiência do real, de habitação do mundo.

Atingimos assim o âmago de sua poética, de sua originalidade no contexto da arte contemporânea.”


O EXERCÍCIO EXPERIMENTAL DE LIBERDADE



BÓLIDES


[...] BÓLIDES: as caixas (de madeira, vidro, plástico

e cimento; e também sacos de pano e plástico) agrupadas como BÓLIDES eram na verdade não uma nova forma inaugurada de arte: são a semente,

ou melhor, o ovo de todos os futuros projetos ambientais [...]


B11 – Bólide-caixa 9, 1963





Manoel Moreira foi acusado pelo assassinato do detetive Le Coq. Jurado de morte, foi caçado por mil policiais em quatro estados do pais. Pessoas parecidas com ele chegaram a ser mortas por engano. Cinco semanas depois, Cara de Cavalo foi encontrado na casa de uma família onde ele dormia naquela madrugada, na região dos Lagos. Teve uma morte espetacular. Mais de 100 tiros foram disparados pelos policiais contra ele, sendo que 62 o atingiram, a maioria no abdômen.


Esta homenagem é uma atitude anárquica contra todas as modalidades das forças armadas: polícia, exército, etc. Pretendo fazer poemas de protesto (em capas ou caixas) com um sentido mais social, mas este, para Cara de Cavalo, reflete um momento ético importante (para mim, decisivo), pois reflete a revolta de um indivíduo contra todo tipo de condicionamento social. Em outras palavras: a violência é justificável como meio de revolta, porém jamais como forma de opressão.”

(Hélio Oiticica em carta ao crítico britânico Guy Brett, 12/04/1967)


Seja marginal, seja herói, 1967. (estandarte em homenagem ao bandido Cara de Cavalo)

A invenção do Parangolé

ou quando a arte invade a vida



Em agosto de 1964, a partir de uma cena marcante presenciada numa rua Da Zona Norte do Rio, Oiticica vê uma espécie de construção improvisada por um mendigo com estacas de madeira, cordões e outros materiais; em um pedaço de juta consegue ler a palavra "Parangolé" e passa a designar como tal, obras que está desenvolvendo naquele momento.


P3 Parangolé Tenda 01, 1964,

Paint; wood; plastic; straw matting;

nylon screen, 264 x 120 x 120 mm









1980: No dia 22 de março, sofre um acidente vascular cerebral, falecendo sete dias depois no Rio.

 

LÚCIA CASTANHEIRA ESCOLA DE ARTES


fale@luciacastanheira.com


31 9 84979168


RUA SÃO PEDRO DA UNIÃO, 106, SION - BELO HORIZONTE

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