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LASAR SEGALL -1891 (Lituânia)/1967 (Brasil)


Lazar Segall - Auto retrato, 1935

Nasce em Vilna (Lituânia) em 1891, no final do séc. XIX , e com apenas 15 anos emigra para Berlim em 1906 e ingressa na Academia de Belas Artes local. Vejam como era diferente! Um jovem, naquela época já podia conviver com o universo das artes desde cedo, pelo desejo e vontade. Quantos desistem nesta idade?


Deixa-a em 1909, contrariado com a rigidez do ensino. Penso que as escolas deveriam refletir muito sobre o ensino na atualidade, que ainda funciona muitas vezes no antigo regime. Elas continuam insistindo em ver somente o ser cognitivo do aluno e esquece do ser sensível, inerente a todos.


1905

1908

Mãe e Filho -1909

Dor -1909/Litografia

Em 1910, vai para Dresden ( Alemanha), onde frequenta a Academia de Belas Artes e realiza sua primeira exposição de pinturas individual. Começa pouco a pouco a integrar-se no movimento expressionista alemão.


Ancião com Muleta - 1910

Menino na Floresta - 1910

Floresta -1910

A Pequena Aldeã - 1911

Em 1912 vem pela primeira vez ao Brasil. No ano seguinte, realiza individuais em São Paulo e Campinas. Mesmo sem deixar marcas, ao menos do ponto de vista cronológico, estas duas exposições podem ser consideradas as primeiras mostras de arte moderna entre nós.


Lasar colocava muitas esperanças em nosso país, mas o Brasil não se achava maduro o suficiente para aceitar o Expressionismo como forma de arte.


Entre amigos - 1912

O Violinista - 1912

“Foi um ato de temeridade, para não dizer, de insânia total, a decisão de Lasar Segall de retornar à Alemanha naquele ano de 1913, quando os países da Europa, reunidos em torno de alianças espúrias e acordos secretos, faziam seus preparativos para um confronto que a qualquer momento deveria estourar, de cujas extensão e graves conseqüências o mundo só viria a saber nos anos seguintes(...).

Segall tinha tudo contra ele e nada a seu favor. Era lituano de nascimento e a Lituânia achava-se ocupada pela Rússia csarista. Querendo ou não, seu passaporte dava-lhe o qualificativo de cidadão russo e, portanto, inimigo da Alemanha, que se juntara à Austria, Turquia e Bulgária, na luta contra os outros 28 países aliados, dentre os quais a Rússia.

E, para complicar as coisas, ele era ainda judeu, uma raça que, em tempo de paz, contava apenas com tolerância na Alemanha, mas, em tempo de guerra, tornava-se o primeiro alvo do ódio, da perseguição e da morte.

Somando-se a tudo isso, era um artista, o que, para o comando do exército imperial, valia como sinônimo de desocupado(...).

Não havia mais como fugir, não havia lugar seguro para se esconder, não havia a quem apelar, dado que seus ex-professores e seus amigos, embora alemães, também pertenciam à raça judaica. Assim, o inevitável acabou acontecendo. Um dia, foi localizado pelo serviço de repressão a estrangeiros, preso e levado a um campo de concentração de Meissen, às margens do rio Elba(...).

Foi uma experiência que durou dois anos, até que alguma autoridade, de maior peso e com o juízo ainda no lugar, percebeu que aquele jovem de vinte e poucos anos, revolucionário das tintas e dos pincéis, com um passado limpo e dedicado apenas à pintura, não representava ameaça ao país, sendo então expedido um salvo-conduto que lhe permitiu voltar a Dresden, não longe dali, e retomar suas atividades artísticas.”

(Texto de Paulo Victorino)


Retrato de Margarete -1913

Leitura - 1914

Aldeia Russa - 1917

Velho Judeu com Bengala - 1917

Duas Amigas - 1917

Kaddish - 1918

Morte - 1918

Auto retrato - 1919

Em 1919 funda o Dresdner Sezession Gruppe, conhecido também como “Grupo socialista de trabalhadores intelectuais de Dresden”, com vários outros artistas. Difundiu os ideais expressionistas também decisivos para o "Brücke", também fundado em Dresden: a comunidade artística como irmandade que prepara o futuro e a arte como verdade.


Os eternos caminhantes - 1919

Interior de Pobres - 1921

“O Brasil, onde estivera por tão pouco tempo, não lhe saia da mente e, dez anos depois de o ter deixado, estava de volta, encontrando agora um ambiente artístico totalmente modificado. Em 1917, tinha havido a exposição de Anita; em 1922, aconteceu a Semana de Arte Moderna que, a despeito das reações negativas que suscitou, deixou patente que o país já estava preparado para uma renovação cultural.

Ao desembarcar, pois, em 1923, aos 32 anos de idade, confiava em que o Brasil poderia tornar-se a pátria que vinha procurando pela vida afora. Instalou seu ateliê em São Paulo e passou a alternar as atividades entre esta cidade e o Rio de Janeiro. Vencidos os trâmites legais, naturalizou-se, assumindo em definitivo a cidadania brasileira.

Já em 1924, realiza uma individual em São Paulo, desta vez, com grande sucesso. Recebe no ateliê suas primeiras alunas de pintura expressionista. Em 1925, casa-se com uma delas, a pintora Jenny Klabin, da qual só a própria morte viria a separá-lo, 32 anos depois(...).

No desenvolvimento de seu trabalho, utiliza-se não apenas de óleo sobre tela, mas também de processos de gravura que aprendera ainda na Rússia de sua adolescência, como a litogravura e a zincografia, desenvolvendo, pois, uma obra de grande versatilidade.

Um breve parêntesis para as cenas bucólicas de Campos do Jordão e ei-lo de retorno à temática que o acompanhou pela vida: o registro da pobreza, da miséria, da prostituição, da indigência e a força brutal aplicada pelos mais fortes contra os desvalidos da sorte(...)

Segall era um homem profundamente imerso no mundo em que vivia. Não lhe impunha quaisquer limitações, mas o aceitava por inteiro.

Amava a casa, de estilo modernista, em Vila Mariana, São Paulo, onde morava com a família. Seu quintal era uma mistura de jardim botânico com jardim zoológico. Convivia com plantas de todas espécies e se entretinha com pequenos animais que acolhia sob seu abrigo e depois não tinha coragem de mandá-los embora.

Vestia-se com apuro e não descuidava da indumentária nem mesmo quando saía pelas circunvizinhanças. Gostava de andar a pé, caminhar pelas calçadas, contemplar a paisagem e os transeuntes, como se todo esse conjunto fizesse parte de sua vida. E fazia.

Seu casamento com Jenny Klabin foi um idílio que durou 32 anos. Com freqüencia, saiam a dar uma volta, na penumbra da noite, pelos quarteirões mal iluminados, trocando as juras de eternos namorados(...)

A madrugada de 2 de agosto de 1957 marcou o fim do velho guerreiro. Atingido por um ataque fulminante, não teve tempo de ser assistido pelos médicos e veio a falecer. Foi o fim do corpo, porque sua alma se acha presente na mesma casa em que viveu ( São Paulo, transformada em museu, com um acervo de 2.500 obras, e onde funciona ainda uma Biblioteca, organizada por sua mulher, que era escritora e tradutora.”

(Texto de Paulo Victorino)



Museu Lasar Segall

O Museu Lasar Segall é uma instituição localizada em São Paulo, inaugurado em 21 de setembro de 1967, tem por objetivo reunir, divulgar e preservar a obra do pintor, escritor e gravurista, Lasar Segall. O local foi idealizado pela viúva do artista , Jenny Klabin Segall,   e criada pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall.


Não era apenas à pintura que que se dedicava: caracteristicamente, como expressionista, interessava-lhe muito de perto o desenho e a gravura em diferentes técnicas ( metal, madeira ou litografia).





 Menino com Lagartixas -1924 (detalhe)

"Optando por viver e trabalhar entre nós, a luminosidade típica da nova terra adotiva, bem como alguns de seus tipos étnicos mais definidores de uma raça nacional, começam a atrair Segall."

(Texto de Paulo Victorino)


Morro Vermelho - 1926

Bananal - 1927

Retrato de Mário de Andrade - 1927

Perfil de Zulmira - 1928

Cabeça de negro - 1929

Rua de Erradias - 1956 

 

Fontes

INVESTARTE.COM - História da Arte - Lasar Segall - Texto de Paulo Victorino

ARTE BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA - Roberto Pontual - Coleção Gilberto Chateaubriand

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